11/08/2008



SEN, Amartya, O Desenvolvimento como Liberdade, Lisboa, Gradiva, 2003
(Ca. 383 pp. e 19 euros)

“O sucesso de uma sociedade deve ser avaliado (…) primeiramente pelas liberdades concretas de que gozam os membros dessa sociedade (…) Uma maior liberdade reforça a capacidade das pessoas para se ajudarem a si mesmas e, também, para influenciarem o mundo e tais capacidades são fulcrais para o processo de desenvolvimento” (p.34)

“A abordagem adoptada centra-se num suporte factual que a diferencia de uma análise mais tradicional da ética prática e da política económica, como por exemplo, a fixação “economista” no primado do rendimento e da riqueza (mais do que nas características da vida humana e das liberdades concretas) o enfoque”utilitarista” na satisfação mental (mais do que no descontentamento criativo e na insatisfação construtiva) a preocupação “libertária” com os procedimentos em vista da liberdade” que desleixam deliberadamente as consequências que decorrem de tais procedimentos) ” (p. 35)

“A mudança de perspectiva é importante para nos facultar um olhar diferente (…) sobre a pobreza. (…) o desemprego não se resume a uma falta de rendimentos, que pode ser compensada pelo Estado (…) Entre os seus múltiplos efeitos o desemprego contribui para a “exclusão social” (…) conduz a perdas de auto-estima, de auto-confiança e de saúde física e psicológica” (p.36)

“os homens de Bangladesh têm mais hipóteses de viver para lá dos quarenta anos do que os homens afro-americanos de Harlém, na próspera cidade de Nova Yorque” (p.39)

“O reforço de liberdade humana é simultaneamente o fim principal e o meio primordial do desenvolvimento” (p.66)

11/03/2008

CAPITALISMO 21

21. WOLF, Martin, Por que funciona a Globalização - Em Defesa de Uma Economia Global de Mercado, Lisboa, Dom Quixote, 2008

“O tema principal deste livro é o choque intelectual entre o capitalismo liberal e os seus opositores” (…) O livro começa (…) com a definição de globalização económica. Prossegue (…) com argumentos a favor de uma economia de mercado liberal e com a análise das suas contribuições de longo prazo para a prosperidade, a democracia e a liberdade individual. Debruça-se sobre a relação mutuamente apoiante e interdependente entre o Mercado e o Estado democrático. Por fim examina o que acontece quando o mercado cruza fronteiras.
Na terceira parte o livro aborda a longa história da globalização” (p. 38)

“Os críticos têm razão quando dizem que as instituições designadas para gerir a economia global não funcionam tão bem quanto deviam, particularmente na área das finanças. (…)
O grande desafio é o de conciliar um mundo dividido entre Estados com capacidades enormemente desiguais, com a exploração das oportunidades de convergência, proporcionadas pela integração económica internacional.” (p. 39)

“a economia de mercado é a única conjuntura capaz de gerar aumentos sustentados de prosperidade, proporcionando os alicerces de democracias liberais estáveis e dando aos seres humanos a oportunidade de procurarem aquilo que desejam na vida.
(…) os Estados nacionais continuam a ser o local de debate e de legitimidade políticos. As instituições supranacionais adquirem a sua legitimidade e autoridade a partir dos Estados que as constituem” (p.409)

11/02/2008

FASCISMO 4

OTERO, Paulo, Os Últimos Meses de Salazar, Coimbra, ed. Almedina, 2008 (ca. 250 pp. e 20 euros)

“Primeiro no Hospital dos Capuchos (…) e depois no Hospital de São José (…) Salazar é agora um quase vulgar velhinho, acompanhado de médicos, circula em cadeira de rodas pelos corredores dos hospitais, sem ser reconhecido pelos doentes e pelo pessoal hospitalar de turno, limitando-se a murmurar ”é inacreditável, parece inacreditável.” Conta-se mesmo que, no Hospital de São José, uma enfermeira de serviço que ajudou Salazar a fazer exames se terá virado para o Prof. Eduardo Coelho e, não reconhecendo o doente, perguntou: “quem é este velhinho’” (p.49)

“O tempo passa e Salazar não é prevenido que será operado de imediato. (…) O Dr. Vasconcelos Marques toma então a resolução de ir falar com o doente; a sós, depois de ter pedido para que as enfermeiras se retirassem do quarto (…) Refere ainda Vasconcelos Marques, num relato dessa mesma conversa com Salazar que, tendo-lhe perguntado se pretendia que lhe chamassem um confessor, o doente o terá interrompido com uma interrogação seca: “Isto é um hospital ou uma igreja?” (p. 56)

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